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Christina Carvalho Pinto, presidente da Full Jazz, participa do

ROTINA + SAUDÁVEL

O pessoal da Full Jazz tomou a dianteira e, há dois meses, deu início ao Just-a-Minute (JAM), uma campanha mundial prevista para setembro e dirigida particularmente a quem trabalha com criação. A cada 59 minutos um sinal característico suspende a música ambiente e, durante aqueles 60 segundos que faltam para completar a hora cheia, todos os funcionários interrompem o que estiverem fazendo. "Cada um decide o que quer fazer com aquele minuto", explica Christina Carvalho Pinto, presidente da agência. "A única coisa que a empresa decide é que durante aquele minuto ninguém vai trabalhar".

A saúde mental dos 87 funcionários da agência agradece. "É como dar um restart no computador a cada hora", compara Luiz Lobo, da equipe de criação da Full Jazz. "No início parecia que a gente perderia o ritmo de trabalho, mas a parada parece estratégica; faz com que a adrenalina seja contida e, quando voltamos, a sincronia é mais tranqüila", concorda Sylvia Rodrigues, gerente de mídia, que sentiu a diferença já no início do programa: "Quando ficamos muito agitados, saímos no atropelo, não pensamos direito, vamos apenas correndo atrás do relógio".

Apesar de ainda ser uma novidade, Christina acredita que o Just-a-Minute tem um efeito considerável na produtividade das equipes. São resultados que comprovam as pesquisas em universidades prestigiadas, como Harvard e Oxford, onde o método foi primeiramente testado. "Essa parada diminui o nível de estresse", diz Christina. "O que mais engessa a criatividade humana é não haver tempo para pensar coisas novas." Mas a grande vantagem, ela frisa, é a melhoria do desempenho cerebral.

As empresas que apostam na saúde física e mental dos funcionários já constataram que o investimento traz um expressivo retorno financeiro. Na Ticket, empresa do Grupo Accor, que emprega cerca de 750 pessoas, os 15 programas são aplicados desde 2003 e custam R$ 7 milhões por ano. A Ticket trata do pré e pós-Natal de uma população de funcionários composta por 70% de mulheres, além de bancar o aniversário saudável, programa que garante a todos os funcionários um check-up anual. A saúde mental também tem espaço, segundo Eliane Aere, diretora de recursos humanos da empresa. "Constatamos que muitas vezes, embora esteja no local de trabalho, o funcionário não consegue se concentrar por conta de problema particulares ou familiares", diz ela.

Para garantir o nível de produtividade, que incide diretamente nos R$ 5,6 bilhões de faturamento anual, Eliane explica que além da saúde física e mental, a empresa também se preocupa com a saúde financeira de cada um. A partir de medidas profiláticas, Eliane diz que o absenteísmo, que rondava os 5% antes da aplicação desses programas, agora está próximo de zero. As providências preventivas determinaram também uma redução de 20% no custo do seguro saúde.

Prevenir doenças para evitar a quebra na produtividade passou a ser uma grande preocupação das empresas a partir de 1999, com a entrada em vigor da lei 9656/99, que regulamenta o mercado de saúde complementar. A Omint, que administra o negócio de medicina de grupo para 1.500 empresas atendendo um total de 23 mil vidas, faz um mapeamento cuidadoso do perfil de saúde de cada funcionário e de seus dependentes. Para convencer o RH das empresas de que o investimento vale a pena, a Omint apresenta um argumento que mexe diretamente com o caixa: depois da folha de pagamento, o custo com assistência médica é o que mais pesa - chega a representar até 7% do orçamento da companhia.

A partir de um questionário personalizado, a Omint avalia as condições de saúde dos funcionários e trata cada caso separadamente. "Mapeamos 41 empresas em 2004 e os resultados apresentaram desde alimentação desequilibrada (98%), até alergias (44%), dores osteomusculares (35%), doenças relacionadas ao estresse (28%), sobrepeso (35%)", diz Roderick Wilson, diretor médico da seguradora. A partir da vontade do funcionário de mudar tal quadro, a Omint entrou em ação e as empresas acusaram resultados satisfatórios. "Numa única empresa a reeducação alimentar levou a uma perda de 150 quilos num único grupo num intervalo de dez semanas", diz Wilson.

Prevenir para não ter de remediar é também a filosofia da Viação Itapemirim, que chega a empregar cerca de 3.200 motoristas na alta temporada, além dos 3.300 colaboradores internos. A preocupação com a madrugada, período em que se concentram as ocorrências, levou a empresa a adotar o programa Higiene do Sono, que trata desde as rotinas alimentares até os horários e a forma de dormir dos motoristas. A primeira providência é tratar a apnéia. "Se a noite de sono hoje não for boa, seguramente o motorista terá uma péssima jornada amanhã", explica Ronalson Vargas Mendes, gerente de recursos humanos. Os motoristas se submetem também a uma sessão de fototerapia a cada parada noturna para que fiquem despertos enquanto dirigem até a próxima. "Com essas providências, reduzimos em 70% o número de ocorrências desde que o programa foi implantado, há três anos", conta Mendes.

A constatação de que as doenças têm um alto custo quando não tratadas a tempo levou a Volvo a lançar o programa Saúde Global para cuidar dos 2,5 mil funcionários e de seus familiares, num total de 6 mil pessoas. A primeira providência foi incentivar a atividade física. "Só isso provocou uma redução significativa de sobrepeso e sedentarismo", diz Dante Lago, gerente da área de saúde e segurança no trabalho da Volvo. "Há 12 anos a Volvo descobriu que o investimento em prevenção é muito mais econômico do ponto de vista social e financeiro", diz Lago.

Na esteira da prevenção, a Volvo investe ainda num programa para dependentes de drogas lícitas e ilícitas. "Embora a confidencialidade seja respeitada, contamos com a colaboração de familiares, colegas, supervisores e do próprio funcionário para tratar o assunto", explica Lago. Os programas têm apresentado resultados animadores e o absenteísmo caiu para 1,8%.

Qualidade de vida está diretamente relacionada à sustentabilidade do negócio, na opinião de Marcos Baptista, supervisor de saúde ocupacional do Banco Itaú. Dos 50 mil funcionários do Itaú, os 15 mil que se concentram no complexo de prédios construídos da zona sul de São Paulo têm acesso a academia de ginástica, orientação física e alimentar, além de massagem. "Quando nos empenhamos num bom clima organizacional, constatamos que o funcionário produz mais e melhor", diz Baptista.

Os 5 mil operadores de telemarketing merecem programas específicos de saúde vocal, ajuste ergonômico e ginástica laboral. "Com essas providências diminuíram em 25% as causas de absenteísmo referentes a problemas de voz", diz ainda Baptista.

A preocupação com a alimentação de 1.800 funcionários levou a Monsanto a providenciar um bufê de frutas às terças, quartas e quintas-feiras. Desde a manhã até o finalzinho da tarde os colaboradores têm à disposição todas as frutas da estação. "O bufê faz o maior sucesso e as frutas têm tudo a ver com a decisão dos funcionários de baixar peso, tratar o colesterol e adquirir hábitos mais saudáveis", relata Mariana Cersosimo, gerente de treinamento e desenvolvimento da empresa. Para complementar, o programa conta com massagista de plantão e academia de ginástica à disposição. A Monsanto garante 50% do valor pago à academia, desde que não ultrapasse R$ 90.

Na Lexmark Brasil, a preocupação com a saúde é um compromisso conjunto entre empresa e funcionário. "Nossa estrutura é enxuta e um único colaborador afastado custa muito caro", justifica Leonel Costa, presidente da empresa, que emprega 140 funcionários no Brasil. A decisão foi tomada em 2002, quando a direção da companhia percebeu que os custos com saúde ultrapassavam o limite de sinistralidade todos os meses. A partir de um mapeamento da saúde dos funcionários, algumas decisões se impuseram - como check-up completo e atividade física para todos. Para garantir os programas, a Lexmark desembolsa R$ 320 por mês para cada funcionário. Mas vale cada centavo, na opinião de Leonel Costa. "Funcionários saudáveis representam economia pra a empresa", diz.

A decisão vingou. "Há dois anos não temos aumento do custo do seguro saúde", conta Costa. Isso levou a seguradora a oferecer um bônus no plano de benefícios - como uma nutricionista e um endocrinologista de plantão na empresa. "Aplicamos dinheiro na prevenção e recebemos de volta", diz Costa. O compromisso de cuidar da saúde é levado tão a sério desde a implantação do programa que, na fase de contratação, o candidato é abordado sobre como conduz suas rotinas. "Se ele não de preocupa com a saúde, nem contratamos", diz Costa. "Se não cuida da saúde dele, como vai cuidar da empresa? Quando cobro, produtividade, resultados, os funcionários têm de estar com a saúde em dia. Afinal, é o negócio que está em jogo".

Na Atento Brasil, empresa de Teleserviços que emprega mais de 54 mil funcionários na faixa dos 18 aos 25 anos, as campanhas de saúde se sucedem ao longo do ano. Em dezembro e no carnaval, em parceria com o Ministério da Saúde, as recomendações são referentes a aids e DSTs, com farta distribuição de cartilhas explicativas e preservativos. Em abril, segundo o gerente de RH, Claudemir de Oliveira, é a vez da campanha da voz, já que todos os funcionários utilizam as cordas vocais como instrumento de trabalho.

A freqüência da utilização do seguro saúde e dos convênios é um indicador da preocupação da empresa com os funcionários. No Laboratório Zambon, é abaixo da média, segundo a gerente de RH Marta Misina. Ali, os cerca de 100 funcionários são atendidos de acordo com a função que desempenham. As atenções vão desde check-up semestral ou anual, até ginástica laboral, alongamento e ergonomia. "Cada funcionário tem uma necessidade e todos devem ser atendidos no que precisam", diz Marta. As ações preventivas custam ao Zambon R$ 50 mil por ano. "O retorno é um absenteísmo próximo de zero". O programa de qualidade de vida no Zambon inclui saída antecipada às 15h nas sextas-feiras. "Oferecer um tempo para o funcionário tratar de sua família e de seus compromissos também está ligado à qualidade de vida", diz Marta.

 


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